A Bíblia apresenta a família como uma instituição criada por Deus e sustentada por princípios espirituais claros. No entanto, também mostra que famílias piedosas podem atravessar crises profundas quando se afastam da presença do Senhor. É exatamente esse o cenário encontrado em Gênesis 35, um dos textos mais ricos das Escrituras sobre restauração familiar.
Depois dos acontecimentos trágicos narrados em Gênesis 34 — envolvendo Diná, Simeão e Levi — a casa de Jacó encontra-se espiritualmente fragilizada, moralmente abalada e cercada por perigos externos. A violência dos filhos, o medo de represálias e a tolerância com ídolos revelam que algo precisava mudar urgentemente. É nesse contexto que Deus intervém e chama Jacó a tomar atitudes necessárias na família.
Santificação Familiar: Quando a Restauração Começa Dentro de Casa
A primeira atitude de Jacó, ao receber a ordem divina, não é geográfica, mas espiritual. Antes de subir a Betel, ele entende que sua família precisa ser purificada. O texto bíblico relata:
“Então disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.
E levantemo-nos, e subamos a Betel, onde farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho que tenho andado.
Então deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos e as argolas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.”
(Gênesis 35.2–4 – ARC)
Jacó assume, finalmente, sua responsabilidade como líder espiritual do lar. Ele confronta aquilo que estava oculto, mas presente: ídolos. Esses deuses estranhos não surgiram do nada; eles haviam sido tolerados ao longo da caminhada. A ordem de “mudar as vestes” simboliza uma transformação visível, externa e prática, mostrando que arrependimento verdadeiro sempre produz mudanças perceptíveis.
A santificação familiar não é um conceito abstrato, mas uma decisão concreta. A Escritura deixa claro que não se pode buscar a presença de Deus mantendo compromissos com o pecado.
“Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração.”
(Salmos 24.3–4 – ARC)
Essa responsabilidade recai, de forma especial, sobre os pais. O Novo Testamento reafirma esse princípio ao ensinar que o lar deve ser um ambiente de formação espiritual:
“E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.”
(Efésios 6.4 – ARC)
Famílias que desejam restauração precisam compreender que avivamento começa com santidade. Não há comunhão profunda com Deus sem alinhamento com Sua Palavra.
Ir à Casa de Deus: O Chamado para Retornar a Betel
Somente depois de tratar a santificação, Jacó conduz sua família a Betel. Isso não é acidental. Betel ocupa um lugar especial na história espiritual de Jacó. Foi ali que ele teve um encontro marcante com Deus, quando ainda fugia de Esaú.
“E chamou o nome daquele lugar Betel; porém o nome da cidade antes era Luz.”
(Gênesis 28.19 – ARC)
Agora, anos depois, Deus o chama a voltar. O texto diz:
“E levantemo-nos, e subamos a Betel, onde farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia.”
(Gênesis 35.3 – ARC)
“Assim chegou Jacó a Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e todo o povo que com ele havia.”
(Gênesis 35.6 – ARC)
Betel significa “Casa de Deus”, e representa o lugar da presença, da adoração e da aliança. Jacó entende que sua família precisava reaprender a valorizar a comunhão com Deus e a vida comunitária de fé.
A Bíblia reforça essa verdade em diversos textos:
“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.”
(Salmos 122.1 – ARC)
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns.”
(Hebreus 10.25 – ARC)
Ir à Casa de Deus não é apenas um hábito religioso, mas uma prática espiritual que molda valores, fortalece a fé e ensina as novas gerações a andar nos caminhos do Senhor. Em Efésios, o apóstolo Paulo mostra que a vida cheia do Espírito se manifesta em adoração, gratidão e comunhão:
“Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais.”
(Efésios 5.18–19 – ARC)
Famílias espiritualmente saudáveis compreendem que Betel não pode ser abandonada.
Edificar um Altar de Louvor: Transformando Crise em Adoração
Ao chegar a Betel, Jacó não apenas obedece à ordem de Deus, mas vai além: ele edifica um altar. O texto afirma:
“Disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu.”
(Gênesis 35.1 – ARC)
“E edificou ali um altar, e chamou aquele lugar El-Betel; porque Deus ali se lhe manifestara.”
(Gênesis 35.7 – ARC)
O altar simboliza gratidão, memória e reconhecimento da fidelidade divina. Jacó relembra que Deus esteve com ele “no dia da angústia” e durante toda a caminhada. A família aprende que louvar não depende da ausência de problemas, mas da certeza da presença de Deus.
A Escritura confirma que lares firmados em Deus são sustentados por Ele:
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.”
(Salmos 127.1 – ARC)
“Ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor.”
(Hebreus 13.15 – ARC)
O louvor contínuo transforma ambientes, fortalece a fé e mantém viva a memória do agir de Deus. Paulo ensina que essa gratidão deve fazer parte da rotina cristã:
“Dando sempre graças por tudo a Deus e Pai.”
(Efésios 5.20 – ARC)
Conclusão: Famílias Restauradas por Atitudes Espirituais
Gênesis 35 nos mostra que famílias não são restauradas por discursos, mas por atitudes espirituais concretas. Jacó ensina que a restauração começa com santificação no lar, passa pelo retorno à presença de Deus e se consolida na adoração sincera.
Quando essas atitudes são praticadas, lares marcados por crises se tornam lugares de comunhão, crescimento e testemunho.
(Josué 24.15 – ARC)“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

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